05 de agosto de 2026· Dra. Lízya Bruna Vaz

Imposto sobre grandes fortunas: entenda o debate sem alarmismo

Sala envidraçada no alto de um edifício com vista para a cidade ao fundo
Foto: Moritz Bruder / Unsplash

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“Vão taxar as fortunas.” Manchetes assim voltaram com força depois que o Supremo Tribunal Federal decidiu, em novembro de 2025, que o Congresso está em falta por nunca ter criado o imposto sobre grandes fortunas, previsto na Constituição desde 1988. A notícia, que também ganhou destaque na CNN Brasil, assustou muita gente que construiu patrimônio com trabalho de uma vida. Vale separar o que aconteceu do que ainda não existe.

O que aconteceu de verdade

O STF reconheceu que o Congresso deveria ter criado essa lei há décadas e não criou. Só isso. A decisão não criou imposto nenhum, não fixou prazo e não definiu valores. Hoje, não há um centavo novo a pagar. O efeito é político: o tema voltou à pauta, e as dezenas de projetos que tramitam sobre o assunto ganharam holofote. As propostas variam muito entre si, tanto no patrimônio a partir do qual o imposto incidiria (de R$ 5 milhões a R$ 50 milhões, conforme o projeto) quanto nos percentuais.

Preocupação sim, pânico não

É natural que o assunto gere apreensão. Mas as decisões ruins nesse campo costumam nascer justamente do susto: desfazer-se de bens às pressas, mover recursos sem critério ou montar estruturas frágeis para “fugir” de um imposto que ainda nem existe. Movimentos assim podem custar caro e ser questionados no futuro. E enquanto esse imposto ainda é debate, outra mudança para rendas altas já é realidade: a nova tributação de dividendos começou a valer em 2026. O debate sobre o custo e a eficácia desse tipo de tributo segue aberto, inclusive à luz da experiência de outros países, e o desenho final, se algum dia for aprovado, ainda passará por muita negociação.

O caminho tranquilo existe: acompanhar o tema com informação de qualidade, manter o patrimônio organizado e documentado, e avaliar cenários com calma. Quem está organizado não precisa correr quando a regra muda.


Conclusão: o imposto sobre grandes fortunas saiu da hibernação e virou discussão real no Congresso, mas ainda é só isso: uma discussão. O momento não pede reação, pede preparo. Entender como um eventual imposto tocaria o seu patrimônio, com acompanhamento jurídico e sem alarmismo, é o que permite decidir bem se e quando algo mudar de fato.

Do acordo à assinatura

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